No fim do mês de Fevereiro saiu o novo Microsoft Flight que obviamente tinha de analisar. Como amante da simulação, tenho mais que um controlador de sistema de voo, mas nenhum deles se pode dizer que seja topo de gama. Ocorreu-me a ideia de recorrer à nossa parceria com a Logitech para pedir o Flight System G940 a fim de testar o jogo nas melhores condições. A resposta foi imediata e recebi passado uns dias a caixa com o respectivo. Era mais pesada do que estava à espera e isso era um bom indicador: solidez, bons materiais de construção, tudo isso dá peso a um bom controlador e, ao abrir a caixa, verifiquei que tinha acertado.
Este controlador está dividido em 3 partes: Flight Stick, Trush e Pedais e os seus componentes apontam para um sistema de voo mais militar que comercial/civil, embora sirva ambos. As ligações são simples, ligam-se os 2 últimos ao Flight Stick e este ao PC via USB. O sistema dispõe também de alimentação própria para o Force Feedback.
Depois de ligar e instalar o software, fui às propriedades e verifiquei que na realidade são 3 em separado (apesar de 1 único USB). Fiz uma calibração e comecei a perceber aos poucos que tinha nas mãos um bom produto. O G940 tem como alvo a simulação pura e entra no mercado como gama alta. Na baixa temos os flight sticks com 2 eixos: cima/baixo e esquerda/direita; na gama média temos controladores com 3 ou 4 eixos já com rudder (simular os pedais) e thrust (potência motor) e a maioria tem point of view e trims. Mas depois temos a gama alta e é aqui que nos situamos, deixamos a brincadeira e entramos em assuntos sérios.
Este Flight System é composto por:
Flight Stick:
- 2 eixos de direcção com force feedback: esquerda/direita, cima/baixo;
- 3 eixos para trims: esquerda/direita, cima/baixo, rudder;
- 2 eixos POV: esquerda/direita/cima/baixo em função circular;
- 1 hat switch com 8 posições (pontos cardeais);
- 6 botões programáveis;
- 1 botão trigger.
Thrust:
- 2 eixos para potência: 2 motores independentes;
- 2 eixos POV: esquerda/direita/cima/baixo em função circular mini-joystick;
- 2 eixos de rotação: para uso genérico;
- 1 hat switch com 8 posições: (pontos cardeais);
- 4 botões: programáveis sem iluminação;
- 8 botões: programáveis com iluminação;
- 1 switch de 3 posições.
Pedais:
- 2 eixos para rudder: esquerda/direita;
- 2 eixos para travões/outros: travão esquerdo/direito/outros.
Resumo: 17 eixos, 2 hats de 8 posições e 19 botões… !!!
Analisando cada componente em separado:
Flight Stick:
É dos três o único que tem Force feedback, embora não faça muito sentido nos outros. Para questões de gaming seria possível ter uma força por exemplo nos pedais, mas parece-me que já era pedir muito… voltando ao Stick, o Force feedback é bastante bom, dando uma excelente indicação ao piloto de como o avião está a reagir a determinada manobra. Ergonomicamente correcto, apenas o botão do polegar poderia estar um pouco mais à frente, pois quando o queremos pressionar temos que o puxar para trás ou temos o botão a meio do dedo. Os restantes estão bem colocados e facilmente os encontramos sem olhar para eles. O pov é brilhante, sendo analógico podemos virar a vista para os instrumentos de bordo ou para o exterior mais rapidamente ou lentamente conforme necessidade. É um mini joystick analógico sem cantos, ou seja, circular e possui um tacto muito bom e é muito preciso. Na parte da frente temos um gatilho com dois níveis de pressão: primeiro com uma pressão superficial, depois na totalidade, na realidade são dois botões, útil na vertente de combate.
Na base temos 3 trims analógicos, vertical, horizontal e pedais. Os dois primeiros são função obrigatória para voar e respondem sem problemas; o trim dos pedais, embora menos requisitado, também está presente. De notar que o sistema pode funcionar sem Force Feedback embora o Stick fique “morto”, sem qualquer tipo de “oposição”, sem sequer ter mola para levar ao centro o que obviamente faz perder toda a piada.
Thust:
Tem duas alavancas para dois motores independentes. Quando estão para trás, os motores estão parados e, quanto mais para a frente, mais potência têm os motores. Temos a possibilidade de as trancar para se deslocarem em simultâneo, caso seja um avião com um só motor. Nas alavancas temos ainda alguns botões, um switch de três posições, um hat de oito posições e um pov para comandar a vista. Para acabar temos 2 rodas analógicas para parametrizar com funções a gosto.
Na base do Thrust temos oito botões programáveis com luzes para funções gerais, Flaps, luzes, comunicações, landing gear, o que for necessário.
Este sistema é bastante ergonómico, desenhado para a mão esquerda, adapta-se muito bem à palma da mão e aos dedos. Tudo está no sítio certo. O curso das alavancas pode ser efectuado com precisão, ao mesmo tempo que, por exemplo, com o polegar ajustamos uma função no pov. (este é idêntico ao do Flight Stick) As duas rodas analógicas estão também em boa posição de utilização. Tudo é sólido e dá bastante confiança em utilizar sem receio de danificar, apenas temos de ter cuidado em não puxar ou empurrar as alavancas até ao fim com muita força, pois o bater no limite com força poderá estragar. Tirando isso, nada a apontar.
Pedais:
São robustos e pesados, a base é plástico mas os suportes para os pés são em metal. Possuem uma patilha retráctil em baixo para melhor a fixação ao chão, ideal para usar sobre um tapete ou carpete. O curso dos pedais é muito idêntico ao real num avião e possuem a opção de meter mais ou menos resistência. O funcionamento é básico, enquanto um pé vai para a frente o outro vem para trás, efectuando o deslocamento da asa vertical do avião para a esquerda e direita. Mas além do curso dos pedais, temos o sistema de pressão para os travões. Cada pedal pode ser pressionado para baixo como se fosse um acelerador, individualmente ou ao mesmo tempo para servir de travão esquerdo e direito.
Os pedais, embora bastante certeiros e fiáveis, requerem algum tempo de treino, pois a sensibilidade é algo semelhante a tentar travar um automóvel com o pé esquerdo (não façam isto, pois o mais provável é sair uma travagem a fundo). O pé esquerdo não está habituado a empurrar ligeiramente o pedal, normalmente empurramos a embraiagem a fundo, a não ser que estejamos a fazer um ponto de embraiagem. O pé direito já está mais habituado ao travão e acelerador. Mas com prática vamos lá.
Conclusão/notas:
Apesar de ser mais apropriado a voo militar, cumpre perfeitamente no campo da aviação civil e comercial. Em caso de cabines com 2 pilotos, temos Stick em vez de manche (embora muitos já não a tenham), e as alavancas de potência estão à esquerda e não à direita (centro do cockpit) mas o conjunto acaba por servir ambos os campos.
É um sistema de voo de gama alta, bastante bom em preço versus qualidade. Não sei se será o melhor dos topos de gama, mas é certamente uma das melhores alternativas no patamar de preço.










