1º Manga & Comic Event Algarve

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Nos dias 18 e 19 decorreu em Faro o 1º Manga & Comic Event do Algarve. Este evento certamente foi uma lufada de ar fresco no que diz respeito ao panorama de eventos realizados no Algarve e chamou muito do público habituado a lidar com eventos como o Iberanime em Lisboa e no Porto.

Como o próprio nome indica, neste evento todo o universo de manga, anime, comic e videojogos estava presente sob a forma de workshops, música e muito merchandising. Apesar de não ter a dimensão de outros, nem os apoios, esta foi apenas a primeira edição e apesar de tudo conseguiu chamar veteranos nestas andanças e muitos novatos, fãs deste mundo onde a cultura japonesa reina.

Um dos problemas que saltava à vista assim que chegávamos ao local era o edifício. Pequeno, muito pequeno, aliás, e em bastante mau estado de conservação. Apesar dos esforços da organização para o recuperar o mais possível, ainda eram visíveis muitos dos sinais do tempo a passar por aquelas paredes e chão. Todos os espaços eram demasiado apertados, e a zona dos videojogos encontrava-se literalmente numa cave onde era necessário até baixar a cabeça para não corrermos o risco de bater no tecto. Esta questão relativa ao espaço foi de facto a mais inconveniente e condicionante, pois notava-se o esforço da organização em querer proporcionar a melhor experiência possível aos visitantes, no entanto a falta de apoios era mais do que visível.

Apesar desta dificuldade, o espaço estava repleto de referências à cultura japonesa. À entrada era paga a modesta e muito acessível quantia de 2€ – se tivermos em conta que existiam diversos workshops gratuitos onde apenas era necessária a inscrição prévia. Juntamente com o bilhete, era oferecido aos visitantes uma saqueta com três cartas Magic.

Dividido em diversas salas, numa delas encontrávamos o merchandising proveniente de lojas profissionais. Aí podíamos encontrar todo o tipo de produtos referentes aos videojogos, manga e comic. Nesta zona estavam presentes três lojas. Numa delas podíamos encontrar peluches e os mais diversos produtos que destacavam o Super Mario, Navegantes da Lua, Naruto, Full Metal Alchemist e Pokémon. Na seguinte, reinavam as action figures, tshirts (onde Assassin’s Creed Revelations e Diablo III marcavam presença) e até uma tentadora varinha do Harry Potter – que jeito daria sair por aí a lançar Wingardium Leviosas! – entre as já tradicionais cartas Magic, presentes em grande peso por todo o evento. Na última bancada representativa de uma loja profissional, existia uma parafernália de porta-chaves referentes a Naruto, Bleach, One Piece e muitos outros. Nesta bancada podíamos encontrar também espadas de tamanho real dos mangas e animes acima referidos e de outros. Em todas as bancadas, havia obviamente diversos mangas que chamavam ainda mais a atenção dos presentes. Esta era sem dúvida a sala mais povoada e que mais ia despertando a atenção dos presentes. Noutra sala, estavam presentes várias bancadas de lojas ditas não profissionais. Entre elas estavam stands relativos à criação artesanal de roupas e acessórios do universo manga; assim como grupos dedicados ao desenho e à criação de fanzines. Marcava ainda presença um grupo que se dedica à realização de podcasts e vídeos relativos ao Star Wars.

Ao longo do corredor deste curto espaço, estavam expostos diversos trabalhos de vários artistas nacionais, verdadeiras obras de arte digital que davam sem dúvida uma cor bem mais interessante às paredes quase sem tinta do espaço. Este corredor era definitivamente um local de paragem obrigatória para contemplar as obras que por ali se encontravam.

Como não poderia deixar de ser, e sendo as cartas Magic tão influentes no nosso país, existia um espaço totalmente dedicado a elas. Aqui, e com inscrição prévia, decorriam duelos e trocas de cartas, não só de Magic mas também Yu-gi-Oh. Esta interacção de card games decorria também no pátio, onde em muitas das mesas víamos os donos de extensas colecções a exibi-las orgulhosamente a quem estivesse presente. No pátio existia ainda um pequeno palco onde decorreu uma sessão de karaoke em que a língua japonesa reinou e que ia animando a tarde de todos os visitantes.

A paragem seguinte era a “Cave dos videojogos”. Um espaço apertado, baixo e fracamente em mau estado. Mas a presença de consolas como GameCube, Nintendo 64, Mega Drive e Playstation 1 e 2, faziam meter um pouco de lado a questão do espaço. Podíamos jogar clássicos como Mario Kart Double Dash, Tekken, Mario Kart 64 e Sonic the Hedgehog. Apesar de pequeno, neste espaço, e sobretudo devido ao jogo Multiplayer, era aqui que se passava muito do tempo. Com o calor que se fazia sentir em todos os restantes espaços – não estivéssemos nós no Algarve – passar algumas horas numa cave escura e fresca, era de facto tentador!

Existia ainda uma sala onde decorriam os workshops. Gratuitos mas com capacidade limitada a 10 pessoas, necessitavam de uma inscrição prévia. Os temas eram bastante variados e passavam por workshops de cosplay e sushi (ambos esgotados), assim como de ilustração 2D, escultura de figuras de animação e desenho real. Todos eles bastante interessantes e que sem dúvida mereciam a atenção dos visitantes.

Apesar de poucos cosplayers, não deixava de ser interessante ver os que por lá mostravam as suas criações, tendo ainda direito a um desfile por um dos jardins mais conhecidos da cidade de Faro. Como não poderia deixar de ser, e não fosse este um evento onde a cultura japonesa está bem presente, no bar podíamos comprar sushi e noodles, acompanhados dos tradicionais hashi.

Em suma, este evento foi uma lufada de ar fresco para todos os geeks espalhados pelo país fora e que precisavam de se deslocar a Lisboa e Porto para acompanharem eventos do género. É de facto uma pena o espaço e a falta de apoios, mas esperamos que para o ano se volte a repetir em melhores condições para que todos fiquemos a conhecer um pouco melhor todo este universo de cultura japonesa.

Autor: Silvia Farinha Pesquise todos os artigos por

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