Moto Racer VS Moto Racer 3

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Ao celebrarmos o nosso segundo ano de existência, a minha memória “conduziu-me” para 1997 e uma das melhores prendas que recebi até então, um novíssimo jogo de motas… Moto Racer é um daqueles títulos intemporais e foi sem dúvida na companhia de veículos de duas rodas, numa altura em que as motas eram para mim um verdadeiro fascínio, que passei largas horas. Confesso que ainda hoje adoro “armar-me” em motoqueiro (desta feita na realidade e não no mundo virtual) mas talvez tenha sido daí que surgiu a ideia de rever dois dos mais importantes jogos da minha juventude.

Contudo, Moto Racer – há que dizê-lo – está longe de ser um jogo perfeito, mesmo para o final dos anos 90. Para começar o seu realismo não é propriamente brilhante. As quedas são escassas e normalmente só acontecem quando colidimos com algo durante manobras de “cavalinho”. Impactos contra adversários, muros, etc., se as duas rodas estiverem no chão, raramente originam espalhanços aparatosos. Os seus requisitos, algo inconsistentes, apresentam por vezes texturas sem grande detalhe – apesar de nas motas e muitos dos cenários existir um certo cuidado evidente. As resoluções de ecrã deixam muito (mesmo muito) a desejar, sendo apenas possível escolher entre valores demasiado reduzidos. Mas será tudo isto relevante? – Não, porque o jogo vive da condução e da sensação de velocidade que transmite. Conduzir, além de estimulante, é viciante, principalmente quando o fazemos na perspectiva de dentro da mota. O som é outro aspecto muito positivo e genericamente adequa-se, desde o guinchar dos pneus, do gritar do motor, até aos comentários, tudo numa envolvente harmonia para o jogador.

A jogabilidade e os controlos, apesar de minimalistas, são intuitivos, e a tecla “espaço” tem a particular função de executar manobras mais radicais ou certas acrobacias em certas modalidades. Por outro lado, a curva de dificuldade é elevada e mesmo no nível mais baixo, a exigência é evidente, o que não evita a repetição de alguns eventos. Mas para quem se está a divertir, pelo menos tanto quanto eu, isso não é visto propriamente como um problema. Iniciamos todas as provas em último lugar, o que nos obriga a subir na classificação. Há um total de oito pistas (o que me parece pouco) divididas em provas todo-o-terreno ou velocidade, mas quatro encontram-se bloqueadas, sendo obrigatório alcançar um lugar nas três primeiras posições para libertar os restantes conteúdos. A partir do momento que tal seja feito, todas as pistas ficam disponíveis para a totalidade de modos oferecidos e tipos de desafios. Quatro destas pistas são direccionadas para veículos de velocidade e as restantes para motocross ou provas trial. Se por um lado esta obrigatoriedade de ficar nas três primeiras posições pode trazer alguma frustração, por outro, não deixa de ser uma forma de prolongar longevidade do jogo. Muito importante também é a escolha da mota, bem como a adaptação desta à pista. Apesar de não podermos equipar os oito bólides disponíveis é possível escolhê-los de entre quatro variáveis: aceleração, velocidade máxima, aderência e travões. Moto Racer é acima de tudo um jogo imensamente divertido, não propriamente realista, é certo, mas com uma sensação de velocidade excepcional, que acaba por conseguir viciar mesmo os menos “moto-dependentes”.

Seis anos mais tarde, e com Moto Racer 2 lá pelo meio, surge Moto Racer 3 disposto a melhorar e a continuar a tradição da mistura de vários estilos de competição de motas num só pacote. Mas terá sido este hiato de tempo suficiente para melhorar, ou para esquecer os seus antecessores e principalmente o primogénito? A resposta mais honesta que encontro é um convicto não. E a imagem deixada num primeiro impacto não é de todo entusiasmante. Os menus são do mais básico que existe e as configurações mais avançadas um verdadeiro inferno. Praticamente não existem opções de configuração in-game e alterações, como por exemplo de uma simples tecla, obriga a sair do jogo. Um início muito pouco auspicioso. Já o método de desbloqueio de pistas manteve-se, mas agora através de um sistema de pontos atribuídos dependendo do lugar que conseguimos alcançar. Mais pontos recebemos quanto melhor for a nossa posição. Ao contrário do primeiro, o grau de dificuldade foi claramente facilitado, pelo que depressa se consegue atingir os primeiros lugares. Porém, e para quem, como eu, se queixava das poucas pistas disponíveis no primeiro, em Moto Racer 3 existe apenas um total de 15 desafios, o que é ostensivamente pouco. Isto a somar ao facto de não ser possível executarmos upgrades aos veículos, bem como nenhuma das pistas permitir inverter o sentido (o que sempre duplicava a oferta) ou até alterar opções como meteorologia ou hora do dia, não beneficia em nada o jogo. Porém os circuitos existentes, frenéticos e com cenários à altura, estão seguramente muito bem conseguidos. Ao nível do motocross o interesse é significativo (ainda que pessoalmente não me atraia), tem curvas e saltos com fartura e a meu ver é genericamente mais completo do que o primeiro da série.

No que concerne a desafios de velocidade, temos as pistas normais mas o que verdadeiramente fica na retina é a condução pelas ruas de Paris, no meio de tráfego intenso e condutores claramente suicidas (no sentido mais literal da palavra). No fim não restam muitas dúvidas e fica patente que tal como em Moto Racer falta um modo de carreira/ campeonato, que tanto iria potencializar a longevidade do título. É que, quando se chega demasiado rápido ao final, fica um sabor amargo e acaba sempre por saber a pouco. A jogabilidade, essa continua fiel à sensação de velocidade, principalmente nas perspectivas da primeira pessoa e cada estilo tem o seu tipo de condução. Nos eventos de todo o terreno, existem vários stunts possíveis de executar, mas alguns são extremamente difíceis de obter devido a complexas combinações de teclas. Se se optar por um gamepad esta situação muda, é certo, mas muito ligeiramente.

É nas componentes técnicas que o jogo se torna mais díspar. Graficamente apresenta texturas com detalhe, o caso das motas ou dos movimentos dos pilotos que as comandam, mas no conjunto nunca consegue causar impacto. Se existe alguma área onde se denota precipitação no lançamento deste título é seguramente na componente visual, que deveria ser marcante, todavia não passa de banal. O mesmo se passa com o som. O trabalhar dos motores é fraquinho, sem presença e pouco credível. Já os sons ambientes são muitas vezes imperceptíveis e a música também não acrescenta nada de novo.

Não discuto que Moto Racer 3 no seu todo não me deixou marcas tão profundas como o primeiro. Os tempos eram outros. Contudo reconheço que me diverti imenso ao voltar a jogá-los e é esse, a meu ver, o verdadeiro objectivo desta colecção. Dentro do género são imperdíveis. O primeiro por tudo o que me fez sentir e recordar, o terceiro pela loucura que é circular a mais de 200km/h nas ruas de Paris… sem dúvida entretenimento puro!

Autor: Andre Santos Pesquise todos os artigos por

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