Pro Evolution Soccer 2012

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10 Nota Final
Longevidade : 10/10
Jogabilidade : 10/10
Gráficos : 8/10
Som : 10/10

Modo Play Maker | IA melhorada | Jogo mais rápido | Online | Maior detalhe

Poucas equipas portuguesas licenciadas | Não tem Liga Portuguesa | Comentários do Luís Freitas Lobo | Estádios pobrezinhos

A primeira impressão que temos, quando entramos no jogo é que algo está errado: não é normal, num jogo de futebol, ser-nos aconselhado executar o tutorial, de modo a aprendermos a jogá-lo. Um jogo de futebol, seja para PC ou para consola, basicamente, passa por passarmos a bola para os colegas de equipa, desmarcarmos alguém e chutarmos à baliza, usando os botões e controlos analógicos do comando. Nada de especial, certo? Se fizéssemos essa pergunta a quem tenha uma Wii e este jogo, quer nesta versão, ou noutra anterior, a resposta que obteríamos seria um rotundo e furioso NÃO!

Existe uma outra forma de jogar futebol. Foi-nos dada pela Konami. Dada exclusivamente aos donos de uma Wii. Dada há cerca de quatro anos. Uma forma de jogar tão revolucionária, tão precisa, tão perfeita que, quem nunca a experimentou, quem está habituado a jogar jogos de futebol no modo “clássico” tem bastantes dificuldades em compreender e aceitar o quão boa é. A concorrência deste jogo pode ser considerada pelos analistas como sendo superior nas outras plataformas, mas na Wii, a Konami continua a ser rainha. Tão superior que é, que a concorrência, para a versão 12 do jogo para a Wii, parece ter lançado um produto tão inacabado que chega a ser cómico. Como é que é possível terem lançado um jogo de futebol que não suporta online? Adiante, o que interessa para aqui é o PES.

Quem não conhece o jogo, permitam-me que vos apresente Pro Evolution Soccer 2012 para a Wii. Um dos poucos, senão, mesmo, raros jogos comercializados com suporte a português. Quem experimentar este jogo irá encontrar, devidamente licenciadas, a Liga dos Campeões, Taça dos Libertadores, e algumas das principais ligas europeias (infelizmente, a Liga Sagres não está incluída no pacote, pelo que equipas portuguesas, só mesmo o Porto, Benfica e Sporting – o que é pena porque o Braga, por exemplo, no ano passado foi a uma final europeia, como sabem, mas o dinheiro fala sempre mais alto…). Estranhamente, a versão para esta plataforma (e para a PS2 e PSP) perderam a licença da Liga Europa e da Super Taça.

Mas a principal arma deste jogo, tal como referi acima, não reside no número de equipas e campeonatos licenciados, nem tão-pouco na menor qualidade gráfica derivada da plataforma em questão. PES prima pelo modo de jogo denominado de play maker. Nele, o jogador utiliza o nunchuck como se fosse um vulgar comando analógico e o wiimote como se de um rato/ponteiro se tratasse. Com este estilo de jogo é possível indicar exactamente para onde passar a bola, quando passar, quem a irá receber e como a irá receber. É possível, também, comandar, ao mesmo tempo, todos os jogadores da nossa equipa (não acreditam? Imaginem que o wiimote é um rato e imaginem-se a jogar um RTS em que cada jogador representa um elemento do nosso exército. É possível dizermos a um jogador: “vai para ali” e a outro, ao mesmo tempo: “vai para acolá”. Com este modo de jogo, ser um “mestre da táctica” é perfeitamente possível, basta ter algum treino (e assistir ao tutorial completo), e tudo parecerá natural.

Quem conhece as versões anteriores verificará que pouco foi alterado nesta versão. A principal diferença reside no facto de os jogos serem mais rápidos e na melhoria da inteligência artificial. A Konami prometeu dar-lhe mais foco e conseguiu-o. Os jogadores não estão tão presos à táctica adoptada. Fogem muitas vezes dos locais habituais e desmarcam-se com mais naturalidade, o que provoca, também, mais “buracos” para serem explorados nos contra-ataques, tornando o jogo mais imprevisível. Outra diferença notória reside no facto de o estilo de jogo clássico ser na mesma suportado, é mais difícil, principalmente na recepção das bolas. Provavelmente, a equipa de desenvolvimento decidiu implementar esta alteração de modo a equilibrar os dois modos de jogo, já que este modo é mais vantajoso para quem está a iniciar o jogo. Só quem está muito habituado a jogar no modo play maker é que tem uma (clara e inequívoca) vantagem quando joga contra alguém que domina ou não o modo clássico.

No modo single player, além das ligas suportadas, ainda temos a Liga Master (uma espécie de campeonato (apenas as Ligas Inglesa, Francesa, Holandesa, Espanhola e Italiana é que estão disponíveis) com Liga dos Campeões incluída, uma Liga/Taça à medida (escolhemos qualquer equipa/selecção nacional para participar) e o modo Rota dos Campeões (na minha opinião, o mais divertido, já que começamos com uma equipa escolhida por nós – mas com jogadores fictícios e fracos – e participamos em vários torneios (semelhantes a alguns reais), onde defrontamos outras equipas e, no final de cada jogo, é-nos permitido escolher alguns jogadores (à sorte) para integrarem a nossa equipa. Esta “troca de cartas” permite que a nossa equipa obtenha jogadores, teoricamente, melhores dos que já temos. Além disso, por cada torneio, vitória, objectivo alcançado, é-nos dado dinheiro para ser gasto em upgrades para o nosso clube (que pode ser campos de treino, balneários melhores, etc), o que permite que os nossos jogadores evoluam para lá da sua condição actual (no fundo, este modo é uma espécie de RPG/Footbal Manager).

Quanto ao modo online (sim, porque o PES TEM modo online para a Wii), podemos pesquisar um adversário filtrando as pesquisas pela qualidade do sinal (para evitar os muito desesperantes lags), modo de jogo (play maker/clássico). Apesar de não ter um modo online tão consistente como o do Mario Kart, Mario Strikers Charged, ou mesmo o do famosíssimo Black Ops, com um pouco de paciência é possível encontrar adversários que tornam a experiência bastante agradável. Mas sempre é melhor que não ter online nenhum, não concordam? ;)

Graficamente, PES apresenta o mesmo tipo de menus que tem apresentando, não se notando grandes diferenças e continua a apresentar, por vezes, um ar infantil em certas ocasiões (o que me irrita bastante, já que não gosto da ideia que muitos defendem que a Wii é uma consola para crianças). A habitual opção de se jogar com uma equipa de Miis cabeçudos continua teimosamente a estar disponível… No campo as coisas passam-se de maneira diferente. O relvado aparenta estar muito mais definido, assim como os jogadores estão mais nítidos, conseguindo, por vezes, distinguir um ou outro movimento característico do jogador representado na vida real (a pose do Ronaldo antes de marcar um livre, o estilo de corrida do Messi, etc). Infelizmente, como sabemos, a Wii não prima pelas capacidades gráficas e, para que estas melhorias fossem possíveis, foi necessário retirar detalhe a outras coisas, neste caso, os estádios, que parecem ser cada vez mais falsos e simplórios nos detalhes (nem falo no público e nas respectivas animações). Mas, também, quem está a jogar, não vai parar uma jogada a meio só para admirar as bancadas do estádio onde está… O som do jogo continua com a qualidade igual à do ano passado, tornando a experiência um pouco mais real, já que somos brindados frequentemente com os cânticos utilizados pelas claques dos clubes em jogo.

Resumindo, Pro Evolution Soccer 2012 é o melhor simulador de futebol. É o melhor simulador de futebol para a Wii porque o jogo da concorrência, simplesmente, deitou fora o conceito de realismo (e outros mais) e é o melhor simulador de futebol graças ao modo play maker. Neste modo, é possível jogar com qualquer táctica e qualquer jogada é possível, bastando que seja criada pela nossa imaginação.

Autor: Daniel Martinho Pesquise todos os artigos por

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