Actua Soccer

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8,5 Nota Final
Longevidade : 8/10
Jogabilidade : 8/10
Gráficos : 9/10
Som : 9/10

Visualmente apelativo para a época | Jogabiidade “simplista” mas extremamente viciante

Alguns movimentos do jogadores demasiado mecânicos ! Perspectiva do jogador demasiado confusa

Nem sempre os videojogos com a temática do futebol foram (técnica e culturalmente) o que são hoje. Mas é um facto inegável que o desporto em questão tem actualmente a importância que tem, devido ao passado e ao que ao longo dos anos foi sendo trabalhado e evoluído.

Dizer que Actua Soccer foi graficamente pioneiro não é nada mais do que a verdade que acaba por marcar uma geração de jogos, o que o torna numa daquelas pérolas memoráveis, apesar da sua quase “maioridade” com a proximidade aos seus dezoito aninhos. Melhor, só mesmo a oportunidade de ler este texto ao som de uma das músicas disponíveis no menu principal, para a versão de PC, dona de uma sonoridade fantástica e a qual podem apreciar:

Vão ver que o impacto é seguramente outro.

Actua Soccer foi um dos primeiros jogos em que pude experienciar a espectacularidade de um motor gráfico 3D, som em aprimorado próximo de surrond, músicas in-game e uma jogabilidade incrivelmente viciante. Apesar de todas as “inovações”, revolucionárias para a altura, a verdade é que após o apogeu técnico que os videojogos têm constantemente sofrido, olha-se para este título com algum desdém e desconfiança. Porém, além de representar uma geração, foi no ano de lançamento um verdadeiro vencedor, superando inclusivamente outros jogos de renome e com “maior” importância nos dias de hoje.

Dono de uma simplicidade sui-generis oferece-nos a possibilidade de escolher, de entre um vasto leque de ofertas (entre opções internacionais como clubes) a equipa com que pretendemos iniciar os nossos confrontos futebolísticos! O menu bastante intuitivo e acessível    entre outras opções, permite escolher as modalidades de jogo, que variam desde “League”, “Cup”, “Practice” e “Friendly”. Estas por sua vez, podem ser disputadas entre o jogador e o computador, um segundo participante ou online para um encontro em rede. Para as equipas propriamente ditas podemos, como já vem sendo normal, definir as tácticas e formações, sendo que as mais comuns estão disponíveis. Não é propriamente alongado no que diz respeito a estas preferências mas ainda assim não desilude. É possível também efectuar alterações ou personalizar opções como a qualidade gráfica, som, tipo  e condições do campo, bem como o estádio. Um dos aspectos que mais sobressai é que, mesmo com as definições no máximo, não deixa de ser um jogo com um tempo de resposta preciso e imediato, que não causa arrastamento ou efeitos de esbatimento de imagem em ecrã e no controlo dos jogadores bem como respectiva equipa.

Relativamente à jogabilidade podemos optar por várias colocações de câmara, que vão desde as mais afastadas até à perspectiva da primeira pessoa do jogador no campo. Infelizmente impera alguma confusão aos níveis do relvado com esta visão de jogo, o que o torna imensamente confuso, pelo que é a meu ver mais produtivo optar pelas perspectivas mais distantes. Os movimentos destas no acompanhamento do jogo são bastante fluídas, o que faz com que imponha um ritmo rápido mas ao mesmo tempo agradável enquanto acompanhamos o desenrolar da partida. Por outro lado, tem algumas animações “estranhas”, como quando a bola sai pela linha de fundo, e que a câmara prontamente acompanha, mas que origina uma brusca “revienga” que nos deixa (basicamente) de olhos trocados.

O controle dos jogadores é relativamente simples após algum tempo de prática. Ao início vai ser complexo manusear o atleta e, principalmente seleccionar e mudar de jogador mas a prática leva à perfeição… e, neste aspecto, demais. É que, depois de lhe apanharmos o jeito, acaba por se tornar demasiado simples. O aspecto visual de selecção de jogador é intuitivo. O elemento que está por nós seleccionado fica com um triângulo amarelo em baixo que, além de indicar que é aquele que podemos manipular, também informa o sentido para o qual nos estamos a deslocar. Este “triângulo” assume outras formas quando por exemplo alguém se desmarca para o espaço vazio e aguarda a recepção da bola, ou quando se faz um passe. É também a partir desta ferramenta que podemos saber o que fazer em diversas situações, visto que, se pressionarmos o botão certo em conformidade com a forma geométrica que tivermos, o jogador executa lances pré-definidos.

Graficamente são visíveis os limites tecnológicos da altura mas a verdade é que tanto o público como os jogadores transparecem uma representação bastante real e fidedigna. Segundo consta, chegou mesmo a ser utilizada a tecnologia de motion capture, o que resulta em carrinhos, cabeceamentos e até pontapés de bicicleta (ainda que raramente funcionassem comigo) incrivelmente realistas. É certo que grande parte dos movimentos não são propriamente “reais” no sentido da simulação de jogo e também é verdade que os jogadores correm e mudam de direcção como se de robôs se tratassem, mas a fluidez in game facilmente faz esquecer esses “pequenos pormenores”. Outro aspecto que em muito ajuda a toda a envolvência são os comentários no decorrer das partidas, de autoria de um senhor de renome na Inglaterra chamado Barry Davies. A repetição do nome do jogador numa jogada perigosa, a célebre frase “o árbitro olha para o relógio mas ainda dá mais alguns segundos” ficam na memória e reouvi-las hoje é um agradável recuar no tempo.

Se o objectivo é diversão e jogar um clássico do futebol, este é um título obrigatório. Passado o “choque” inicial relativamente à componente visual e jogabilidade, vamos com toda a certeza reviver grandes partidas entre grandes equipas. Apesar de um contratempo aqui e ali, a verdade é que, para a altura em que saiu, Actua Soccer é um jogo muito à frente!

Autor: Andre Santos Pesquise todos os artigos por

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