Breeze

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7 Nota Final
Longevidade : 8/10
Jogabilidade : 8/10
Gráficos : 7/10
Som : 4/10

Grátis | Conceito simples que explora bem as potencialidades de mobile gaming

Música de elevador

Numa altura em que o Marketplace ainda tem um catálogo de jogos muito inferior ao da concorrência (App Store para IOS e Google Play para Android), e onde apenas clones mal conseguidos parecem habitar, a pouca qualidade existente parece habitar pelas aplicações e jogos que levam o branding da Xbox Live, que para além da atracção dos achievements, acaba também por garantir um mínimo de qualidade em termos de grafismo, som e jogabilidade.

Infelizmente poucos jogos Xbox Live para Windows Phone são gratuitos, em qualquer que seja a modalidade (freemium ou ad supported), pelo que, para quem não usa o telemóvel como plataforma de jogos primária, tem aqui uma barreira difícil de ultrapassar em termos de custo/proveito, especialmente quando alguns jogos parecem ter problemas com telemóveis específicos, mesmo quando estes têm a versão actualizada do sistema operativo, não existindo nada claro que indique qualquer tipo de configurações mínimas de hardware para correr os jogos vendidos pelo Marketplace.

Dentro da pequena oferta de jogos gratuitos Xbox Live, um que me chamou imediatamente a atenção foi o Breeze, o qual apresentava um grafismo muito simples mas bastante apelativo, e tinha uma premissa que à primeira vista me fez lembrar o famoso Flower, embora não demore muito para chegarmos à conclusão que são jogos completamente distintos, cada qual com o seu charme.

Em Breeze controlamos uma flor no seu percurso turbulento até à meta de cada nível, guiando-a por vários tipos de intempéries e obstáculos. Consoante o nível, teremos de ir apanhando umas esferas de luz solar antes de podermos cruzar a meta, evitando qualquer tipo de colisões, que nos custam uma vida, e fazendo-o com um tempo limite. Este jogo é, portanto, na sua essência um puzzle contra o tempo, onde temos que descobrir qual o melhor caminho para atingirmos a meta, e possuir a perícia e reflexos para o conseguirmos fazer no menor período de tempo possível.

Existem dois tipos de controlos, os quais mudam radicalmente a experiência de jogo. Na primeira modalidade de jogo controlamos a flor indirectamente, criando fontes de vento através do uso do ecrã multi-toque do telemóvel, as quais levam a flor a bom rumo (ou não). Consoante a proximidade do nosso toque e a flor, a intensidade do vento gerado é variável, sendo desafiante dominar este tipo de controlo, especialmente porque a criação de pontos de vento muito próximos da flor levam a alguma perda de visibilidade, problema mais óbvio quando usamos o dedo invés de um stylus. O segundo modo de controlo usa o giroscópio e acelerómetro do telemóvel, e, consoante o movimento, controlamos directamente a flor. Este modo acaba por ser mais natural, levando apenas algum tempo para ganharmos algum grau de mestria em relação à velocidade que impomos à flor, e à reversão de direcção, para travarmos rapidamente e evitar colisões indesejadas. Em ambos os modos de jogo possuímos um número limitado de travões, os quais param de imediato o trajecto da flor, sendo úteis para algum descontrolo momentâneo, mas acabando por vezes por ser contraproducentes, dando origem a algum gesto involuntário para activar o travão que nos crie um novo problema.

Em termos de grafismo, defino-o como uma simplicidade elegante, apresentando algum detalhe nas peças realmente importantes no jogo, e complementando com ecrãs de fundo que encaixam bem na temática do nível e na estação do ano deste. Pode não ser exactamente deslumbrante, mas é sem dúvida um design bem trabalhado, com foco no mais importante, e acima da média face à globalidade dos jogos e aplicações do Windows Phone.

O jogo conta com 60 níveis distintos, um nível secreto e com 50g em pontos Xbox Live ganhos em achievements simples, o que, associando aos dois modos de jogo existentes e aos diversos níveis de dificuldade, concede uma longevidade bastante razoável, entretendo-nos sem dúvida por muitas viagens de transportes públicos.

Os efeitos sonoros e música de fundo poderiam ter sido melhor trabalhados, sendo que os primeiros são praticamente inexistentes, existindo praticamente um som para as colisões e pouco mais (nem sequer apresenta sons relacionados com vento como seria expectável), e a música, embora seja inicialmente relaxante, e até bastante compatível com o tipo de jogo, rapidamente se torna monótona e repetitiva, passando a ideia de estarmos a jogar num elevador que nunca mais chega ao seu destino, o que nos leva a tirar o som ao jogo, especialmente quando jogando em público.

Para quem possui telemóveis com o sistema operativo Windows Phone este é sem dúvida um jogo que devem ter no vosso telemóvel, providenciando uma boa montra para aquilo que os jogos indie devem ser nesta plataforma. Este é um jogo bem conseguido que assim que se começa a tornar repetitivo logo introduz novos desafios para apimentar a jogabilidade, seja ele a introdução de um nível de gravidade tão forte que apenas conseguimos direccionar a inevitável queda a grande velocidade da flor, ou a inversão dos eixos de controlo do jogo que nos troca as voltas todas.

Autor: Jorge Fernandes Pesquise todos os artigos por

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