Fossil Fighters – Champions

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4 Nota Final
Longevidade : 4/10
Jogabilidade : 4/10
Gráficos : 5/10
Som : 5/10

Sistema de combate elaborado

Limpeza de fósseis torna-se monótona e um obstáculo no jogo

Desde que o Pokémon plantou o bichinho do temos que apanhá-los todos, que têm surgido vários títulos que envolvem a captura, treino e colecção de uma imensa diversidade de  criaturas que nos levam a batalhas épicas onde a equipa mais equilibrada e melhor preparada eleva o seu treinador aos anais da história.

O mais recente título de Fossil Fighters volta a trazer-nos uma adaptação deste género, onde através da escavação de fósseis de dinossauros os conseguimos trazer de volta à vida sob a forma de Vivosauros, prontos para serem ensinados a travarem lutas ferozes em nome dos seus treinadores sem nenhuma razão aparente. De facto, se alguém no desenvolvimento deste jogo tentou esboçar algo a que se possa chamar um enredo, conseguiu disfarçá-lo bem,  pois, não só apresentam um linha-guia já muito batida, como nem sequer a tentam elaborar minimamente, bastando apenas a primeira “revelação” para sabermos logo o que se vai passar no desenrolar do jogo. As próprias personagens também não trazem nada de novo e, embora muitos se conseguirão identificar com alguns traços de personalidade que elas apresentam, fica novamente a ideia de que não foi feito um esforço neste departamento.

A juntar à mediocridade do enredo e personagens junta-se também a falta de imaginação no desenho dos cenários, que embora represente várias das zonas típicas deste género de jogo, como florestas, montanhas, planícies geladas e grutas, não existe nenhuma ligação entre elas, sendo que o jogo divide-se em três ilhas onde cada uma apresenta uma espécie de vila com caminhos distintos para as áreas referidas anteriormente. Ignorando a temática de cada vila, os edifícios principais presentes em cada uma são completamente idênticos, mudando apenas os nomes dos NPCs e a palete de cores usada.

Com tudo isto em mente será que a jogabilidade deste título consegue nivelar a balança? Será que a captura, colecção, batalha e renascimento dos Vivosauros nos consegue prender ao ecrã por horas a fio?

O  jogo encontra-se dividido em três fases bem distintas: a descoberta e escavação de fósseis, a limpeza destes fósseis e o seu ressuscitamento e, por fim, as lutas entre a equipa dos nossos Vivosauros com os adversários que vão surgindo ou que simplesmente desafiamos.

A escavação de fósseis resume-se a andar a explorar as diferente áreas com o auxílio de uma espécie de sonar, que nos indica a localização de possíveis fósseis, pelo que basicamente o X marca o lugar e devemos escavar onde o sonar aponta. À medida que vamos melhorando o sonar conseguimos descobrir novos tipos de fósseis, bem como a redução de falsos-positivos pelo sonar.

Depois de descobertos os vários fósseis, está na altura de os limpar para descobrir que vivosauro temos em mãos, ou porventura uma pedra preciosa ou outras surpresas. A limpeza dos fósseis resume-se ao uso de duas ferramentas: o martelo, que é capaz de remover as camadas mais duras do fóssil, mas que é pouco preciso e que se entrar em contacto directo com o fóssil causa danos extensivos; e uma broca, a qual providencia um maior controlo e exactidão, mas que remove as camadas de pedra mais lentamente, gerando também muita poeira que nos tira visibilidade, provocando porventura o uso da broca directamente sobre o fóssil, danificando-o. Como forma de auxiliar estas duas ferramentas, algumas fósseis permitem ainda o uso do raio X, o qual indica em que zona da pedra estão efectivamente os ossos fossilizados do Vivosauro. A limpeza dos fósseis está bastante bem conseguida, sendo que o uso do stylus para controlar o martelo e a broca funciona na perfeição, e o microfone para assoprar a poeira idem aspas.

A última fase são as batalhas, onde a nossa equipa de um a três Vivosauros enfrenta uma equipa adversária num sistema de combate bastante elaborado. Para começar, cada Vivosauro pode possuir um elemento, o que lhe concede forças/fraquezas face a outros elementos, dentro dos moldes usuais, água forte como fogo, etc. De seguida a nossa equipa divide-se em duas partes: a zona de ataque e a zona de suporte, sendo que em cada uma delas temos que ter um Vivosauro, podendo no máximo chegar até dois. Os Vivosauros na zona de suporte concedem bónus (positivos ou negativos) às zonas de ataque do jogador ou do adversário. Cada Vivosauro tem também um alcance onde os seus ataques são mais efectivos. Por fim, para além de despoletarmos ataques, podemos também alternar as posições dos nossos Vivosauros durante o turno, mudando-os da zona de ataque para a de suporte ou vice-versa. Em adição aos três Vivosauros combatentes, podemos também adicionar outros dois de reserva, que nos permitem alterar a equipa nas áreas normais do mapa, e que também vão ganhando experiência com os combates realizados.

Existem duas maneiras de evoluir os nossos Vivosauros, sendo que a principal é a escavação e limpeza de fósseis, pois cada dinossauro é composto por quatro fósseis distintos (cabeça, corpo, pernas e braços) e a taxa de sucesso da limpeza de cada uma destas partes contribui para a força total do Vivosauro. Em adição a estes quatro fósseis, existem dois tipos de fósseis especiais, chamados super fósseis, que podem ser usados sobre qualquer Vivosauro, e que despoletam uma espécie de mutação ou evolução que os tornam mais fortes.

A mecânica de jogo apresenta-se assim bem elaborada, e providencia umas primeiras horas de jogo viciantes, mas a limpeza de fósseis rapidamente se torna um fardo,  o que arruína o jogo pois condiciona o coleccionamento de novos vivosauros e rapidamente perdemos a vontade de progredir no jogo porque simplesmente estamos fartos de limpar fósseis. Isto por sua vez traduz-se em usarmos sempre os Vivosauros que inicialmente limpámos afincadamente para travar as nossas lutas, os quais acabam por ficar demasiado desenvolvidos e nos permitem ganhar as lutas sem o mínimo de estratégia, conseguindo assim arruinar o único potencial que encontrei no jogo.

Autor: Jorge Fernandes Pesquise todos os artigos por

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