Numa altura onde o catálogo de jogos da PS Vita ainda é reduzido, e muito pouco representativo dentro de alguns géneros, é esperado que os títulos para esta nova portátil da Sony que sejam a continuação ou spin-off dos grandes exclusivos Playstation pavimentem o caminho, angariando novos jogadores e mercado para fomentar a entrada de futuros jogos. Uncharted The Golden Abyss foi um bom exemplo disso, mas será que Resistance Burning Skies o conseguirá?
Sendo eu da opinião que qualquer FPS apresenta uma melhor jogabilidade de jogado com teclado e rato, estava à espera de ver como conseguiriam explorar os dois analógicos da Vita e as suas especificidades, e o resultado é interessante, embora pouco funcional em ambientes frenéticos, como é o caso do modo multiplayer. O funcionamento dos analógicos é idêntico ao comum, mas é complementado com o painel de toque traseiro para nos deslocarmos a correr, e com o ecrã de toque para interagir com o mundo, lançar granadas e usar o tiro secundário da cada arma. Tirando o ocasional erro de querermos interagir com algum objecto e invés disso praticamente cometermos suicídio ao disparar o tiro secundário da nossa arma, os controlos funcionam bem e são aparentemente responsivos… ou parecem ser, porque se ao longo da campanha single player acabamos por não reparar muito em certos pormenores, a jogar contra amigos e outros adversários em modo multiplayer começamos a dar conta que este tipo de interacção não é muito eficaz, sendo que o uso do ecrã de toque para desenhar uma trajectória para uma granada é um convite a sermos mortos antes de ter tido tempo de a atirar. O facto de apenas repararmos neste pormenor no online levanta determinadas perguntas, como a óbvia da IA dos quimerianos ter sido “ajustada” para um jogador comum ter tempo de usar este tipo de interacção eficazmente… quase que faz lembrar o bullet time do Max Payne.
Em termos gráficos o jogo está muito bom, existindo apenas umas zonas mais escuras que acho terem sido mal conseguidas, porque mesmo com o brilho da Vita no máximo torna-se difícil prestar atenção a detalhes e até mesmo navegar pelo cenário, fazendo falta um lanterna para contornar o problema. Os efeitos sonoros estão bons, tornando cada disparo distinto entre armas, embora tenha um problema grave, que é o de não se conseguir discernir a direcção do som, parecendo ecoar por todo o cenário, o que apenas seria indicado se isto fosse um filme do Michael Bay. A música ambiente está muito bem conseguida, quando ela está presente, pois a maior falta que se pode apontar neste capítulo é a questão de ela ser praticamente inexistente.
Na versão portuguesa do jogo, que foi a versão testada, detectei vários bugs relativamente a falas em falta, algo que espero que seja revisto e corrigido em breve com uma nova patch, mas tirando esta questão um pouco irritante devo dizer que gostei das dobragens, que é algo que me têm surpreendido bastante pela positiva nos últimos jogos da Sony.
A variedade de cenários presente no jogo, de armas e de inimigos é outro dos pontos positivos deste título, especialmente quando metemos ao barulho os upgrades de armas através do uso da tecnologia cinza (e que rapidamente nos colocam a prestar sempre atenção ao mapa para não deixarmos escapar nenhum dos cubos de tecnologia cinza), e pelas particularidades de alguns inimigos, como o facto de também ser possível os matar fazendo pontaria para as pilhas de calor que alguns possuem.
O combate é muito interessante, mas devo dizer que estranhei a quantidade de tiros necessária para matar as hordas de inimigos básicas, pois mesmo com headshots são precisos múltiplos tiros, à excepção do upgrade que faz com que um headshot resulte numa explosão. Por outro lado, os bosses do jogo são relativamente fáceis de matar, e não transmitem a ideia de terem sido muito trabalhados. Aliás, o próprio jogo em termos de história e desenvolvimento de personagens também se encontra muito abaixo do esperado para um título desta dimensão, embora por vezes seja um mal comum nos FPS.
Em termos de longevidade, este é um jogo a evitar caso sejam apenas adeptos do single player, porque a campanha leva algo como 6 a 8 horas a acabar. Por outro lado este é um jogo ideal para os caçadores de troféus, uma vez que a platina leva pouco mais que isso a conseguir, e nem é necessário trabalharmos muito fora do progresso de jogo normal para a obter.
Por fim temos o multiplayer, e é aqui que certamente se passam mais horas a jogar, pois embora simples, acaba por ser bastante competitivo e divertido. Existem 3 modos de jogo (e um 4º, onde se jogam todos os anteriores): o todos contra todos, todos contra todos de equipa e sobrevivência. Até ao momento nunca tive qualquer problema de lag, sendo sempre um jogo muito fluído, podendo-se apenas tornar mais chato dependendo do estilo de jogo dos jogadores. Até agora o único problema que descobri, é entrar num jogo que já está a decorrer e sermos logo colocado em campo mesmo antes de selecionarmos o equipamento a levar, o que por vezes se traduz em começarmos a jogar e antes de sequer darmos um passo já estarmos mortos. Tirando isso, apenas tenho outra coisa a apontar, que é o facto de estarmos a ser emparelhados com jogadores muito acima do nosso nível, ou seja com acesso a armas e upgrades melhores, mas creio que isto apenas se deve à falta de jogadores, e que tal seja colmatado à medida que mais gente o comece a jogar.
Em resumo, Resistance Burning Skies é um jogo razoável, capaz de trazer muita diversão à Vita, mas fica muito aquém do que seria esperado para um título desta grande franchise Sony, sendo muito superficial, pouco trabalhado em termos de história, personagens, som e bosses e sofrendo de loadings muito morosos. É todavia uma boa montra para o que se pode fazer com FPS’s na Vita.







