Sonic Lost World

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7
Longevidade: 7/10
Jogabilidade: 7/10
Gráficos: 8/10
Som: 7/10

Momentos de excelente velocidade | Criatividade

Momentos frustrantes e aborrecidos

Sonic, a famosa mascote da Sega e, durante muito tempo, grande rival de Mario tem tido uma vida atribulada desde os seus tempos áureos na era dos 16 bits. Enquanto a criação de Shigeru Miyamoto soube adaptar-se admiravelmente ao universo tridimensional. O ouriço azul tem tido lançamento de novos títulos de forma relativamente regular mas os resultados não têm sido famosos. Não podemos contudo acusar a equipa de desenvolvimento de falta de esforço, pois todo o tipo de experiências, têm sido feitas na tentativa de criar experiências satisfatórias que façam jus a este personagem. Sonic em mundos 3D? Sim já foi feito… Sonic de volta às raízes 2D? Sim, também já foi feito… e parece que independentemente do que se faça, nunca se consegue agradar completamente o público-alvo que normalmente é bastante crítico relativamente ao resultado final.

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Pois bem, nos últimos anos tem-se verificado alguma melhoria qualitativa e Sonic Lost World é uma espécie de” sucessor espiritual” dos títulos mais recentes Sonic Colours e Sonic Generations, mas apesar de seguir as linhas gerais dos dois títulos anteriores (a alternância entre níveis 2D e 3D) introduz algum senso de novidade que desperta interesse e curiosidade. Os níveis passam a ser ambientados em terrenos mais fragmentados e abstractos, que por vezes lembram bastante os planetóides das galáxias de Mario, e apresentam frequentemente percursos em forma cilíndrica que podem ser percorridos por qualquer lado (reza a lenda que esta ideia estaria presente no primeiro jogo 3D do Sonic que sairia para a Sega Saturn mas que entretanto foi cancelado). Esta opção predominante de level design é curiosa e satisfatória sendo que podemos por vezes optar pela via difícil ou pela via fácil de fazer as coisas mas muitas vezes o caminho é mais artificialmente delimitado. Os momentos em alta velocidade cheios de saltos bem cronometrados entre plataformas são bastante apelativos e apresentam alguns dos pontos mais altos do jogo. Ainda assim a minha preferência pessoal recai nos níveis bidimensionais em que nos sentimos a jogar os títulos originais da Mega Drive.

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Aqui também os melhores momentos são quando passamos uma larga percentagem do cenário em velocidade máxima, não sendo por acaso que o “blast processing” era já desde a sua origem, o maior chamariz desta série. De volta desde o Sonic Colours estão power-ups coloridos que transformam o nosso personagem e lhe dão novas e úteis habilidades, se bem que nem todas são demasiado interessantes (e irão fartar-se rapidamente de ouvir uma voz muito cheesy a dizer “asteroid”). Diríamos que a inclusão destas transformações é prejudicial ao jogo pois retira a sua “pureza” relativamente aos antigos títulos, mas por outro lado é compreensível pois esforça-se por ser variado e quebrar uma possível monotonia em termos de jogabilidade caso se optasse apenas por uma mecânica principal (e tradicional). O que isto nos permite concluir é que apesar de muitos de nós termos um sentimento altamente nostálgico em relação aos jogos antigos do Sonic (da era 16 Bits), acabamos por criar na nossa memória colectiva uma imagem idealizada dos mesmos que pode até não corresponder exactamente à realidade…o que acontece é que a equipa de desenvolvimento do Sonic parece ter plena consciência que nos parâmetros actuais e valores apreciados nos videojogos de plataformas (nomeadamente em experiências mais experimentais e criativas como no caso dos jogos indie), os jogos do Sonic provavelmente não iriam ser tão bem sucedidos… basta ver o caso de Sonic 4! Parece evidente que os momentos de velocidade máxima são bons e são o que fundamentalmente se procura nesta série mas é evidente também que ninguém aguentaria um jogo de plataformas do início ao fim dessa forma. O que fazer para que os períodos intercalares mais calmos sejam satisfatórios é que é mais difícil de perceber (e daí tanta experimentação ao longo dos anos, seja com power-ups estranhos ou personagens manhosos).

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Em termos de enredo desta vez o Dr Robotnik ou Eggman tem 6 capangas malignos a seu lado (um pouco a contragosto) cada um deles funcionando como boss. Algumas das batalhas são divertidas outras tornam-se longas e aborrecidas. De regresso estão os típicos inimigos robóticos que escondem dentro de si animais felpudos aprisionados. A sua presença e o esquema de cores utilizado ao longo do jogo contribui para o sentimento de nostalgia que está presente em diversos outros momentos seja nos loopings ou no som da bolha de ar que evita que Sonic se afogue nos níveis subaquáticos (engraçado que até senti a falta daquela “música stressante imprópria para cardíacos pré-sufoco”!).

Sonic Lost World é uma montanha russa, tem os seus momentos rápidos e lentos, ou seus altos e baixos, mas o balanço final é positivo e apetece dar mais uma voltinha.

Autor: Joao Sousa Pesquise todos os artigos por

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